Luiz Gallotti – 1945 a 1946

Luís Gallotti nasceu em Tijucas (SC) em 15 de agosto de 1904, filho de Beniamino Gallotti e de Francesca Angeli Gallotti, imigrantes italianos estabelecidos em Santa Catarina em 1873. Seu pai dedicou-se ao comércio, tornando-se em pouco tempo o mais próspero negociante de Tijucas, onde chegou a exercer importante influência política. Durante o Império, foi nomeado coronel da Guarda Municipal e eleito presidente da Câmara Municipal. Com o advento da República, ingressou no Partido Federalista. Dos 15 irmãos de Luís, dois tiveram destacada atuação política: Francisco Benjamim Gallotti, senador por Santa Catarina de 1947 a 1954, de 1955 a 1957 e de 1958 a 1961, e Antônio Gallotti, membro da Ação Integralista Brasileira na década de 1930 e presidente da Light de 1956 a 1974.

Luís Gallotti fez os estudos primários em sua cidade natal e os secundários no Colégio dos Padres Jesuítas, em Florianópolis. Em 1922, participou ao lado de Nereu Ramos da fracassada campanha da Reação Republicana pela eleição de Nilo Peçanha à presidência, dirigindo um pequeno jornal em Tijucas. Nesse mesmo ano, ingressou na Faculdade de Direito do Rio de Janeiro, então Distrito Federal, formando-se em 1926.

Em 1927, após ser nomeado inspetor de bancos no Distrito Federal, foi eleito deputado à Câmara estadual de Santa Catarina, com o apoio do governador Adolfo Konder. No ano seguinte, foi um dos signatários da terceira Constituicão de Santa Catarina.

Designado segundo procurador da República no Distrito Federal em outubro de 1929, ganhou notoriedade em fevereiro de 1930 ao ser escolhido pelo presidente Washington Luís para acompanhar as investigações sobre o choque armado que envolveu o vice-presidente da República, o mineiro Fernando de Melo Viana, quando este encabeçava uma caravana política em Montes Claros (MG). O incidente, que ocorreu no auge da campanha para as eleições presidenciais de março, e quase provocou a intervenção federal em Minas, opôs a comitiva de Melo Viana, integrante da Concentração Conservadora e defensora da candidatura oficial de Júlio Prestes, aos adeptos da Aliança Liberal, predominante no estado e defensora da candidatura oposicionista de Getúlio Vargas.

Mais tarde, ao relembrar o episódio em entrevista a O Globo, Gallotti declarou que o ex-presidente da República Artur Bernardes chegara a planejar um atentado contra o trem que o conduziu a Montes Claros, tendo sido impedido a tempo pelo chefe do governo de Minas, Antônio Carlos Ribeiro de Andrada.

Ao término de suas investigações, Gallotti endossou as conclusões do inquérito realizado pelas autoridades mineiras, considerando desnecessária a adoção de novas medidas do governo federal. Entretanto, o clima de tensão política no país perdurou, agravando-se em junho com o assassinato de João Pessoa, ex-candidato à vice-presidência da República, derrotado juntamente com Getúlio Vargas nas eleições de março. Em 3 de outubro, o Rio Grande do Sul e Minas Gerais levantaram-se em armas contra o presidente Washington Luís. Vitorioso o movimento revolucionário, Getúlio Vargas assumiu em 3 de novembro a chefia da nação.

Apesar de vinculado ao governo deposto pela Revolução de 1930, Gallotti foi mantido em seu cargo de procurador. Em 1934, com a reconstitucionalização do país, foi designado membro da Comissão Revisora dos Atos do Governo Provisório e nos anos seguintes continuou a exercer normalmente as funções de procurador.

Em 8 de novembro de 1945, após a queda de Getúlio Vargas e a formação do governo provisório de José Linhares, foi nomeado interventor federal em Santa Catarina, em substituição a Nereu Ramos. Teve a seu encargo a supervisão das eleições presidenciais e constituintes de 2 de dezembro no estado. Em 5 de fevereiro de 1946, passou o cargo de interventor a Udo Deeke.

Site: http://www.fgv.br/ , acesso em 12 de setembro de 2016.